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Intenção de compra de imóveis bate recorde, mas acesso ao crédito ainda limita negócios

ntenção de compra de imóveis chegou a 52%, maior nível desde 2019. Apesar do recorde, juros, entrada e financiamento ainda separam o interesse da compra efetiva.
A intenção de compra de imóveis atingiu o maior nível desde o início da série histórica da Brain Inteligência Estratégica, em 2019.
No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados afirmaram ter intenção de adquirir um imóvel, três pontos percentuais acima do resultado registrado no mesmo período de 2025.
Entre aqueles que demonstraram interesse, 68% pretendem realizar a compra em até dois anos.

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Sair do aluguel é a principal motivação

A principal razão apresentada pelos entrevistados para adquirir um imóvel foi deixar de pagar aluguel.

Esse motivo foi apontado por 37% dos interessados.

Outras razões também aparecem na pesquisa:

  • 15% pretendem deixar a casa dos pais;
  • 14% buscam um imóvel com mais espaço;
  • 13% consideram a compra como investimento.

Os dados mostram que o interesse pelo imóvel está relacionado a diferentes momentos da vida das famílias e não apenas às condições conjunturais do mercado.

Mudanças familiares, busca por independência, necessidade de mais espaço e formação de patrimônio continuam sustentando a demanda.

Intenção de compra não significa negócio fechado

O recorde de interesse é relevante para o mercado imobiliário, mas precisa ser interpretado com cautela.

Manifestar intenção de comprar um imóvel é diferente de possuir condições financeiras para concluir a aquisição.

A própria pesquisa mostra que 68% dos interessados pretendem comprar dentro de um período de até dois anos, e não necessariamente de forma imediata.

Durante esse intervalo, fatores como renda, juros, capacidade de poupança e disponibilidade de financiamento podem alterar a decisão.

Existe, portanto, uma distância entre demanda potencial e venda efetivamente realizada.

Juros continuam influenciando a decisão

Mesmo com o recorde de intenção, o custo do financiamento continua sendo uma variável importante.

Para compradores que dependem de crédito imobiliário, juros mais elevados aumentam o valor das prestações e podem exigir uma entrada maior para que a operação seja compatível com a renda familiar.

Esse cenário pode fazer com que famílias interessadas em adquirir um imóvel adiem a decisão.

Em determinados casos, a capacidade financeira também pode levar o comprador a procurar imóveis mais baratos ou rever características inicialmente consideradas importantes.

O interesse permanece, mas as condições financeiras interferem diretamente no momento e no tipo de imóvel que poderá ser adquirido.

Mercado de imóveis novos também registra crescimento

A pesquisa de intenção ocorre em um período de crescimento das vendas de imóveis novos.

Dados dos Indicadores Imobiliários Nacionais, elaborados pela Brain para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apontam 226.536 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2026.

O resultado representa crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Somente entre abril e junho, foram comercializadas 113.676 unidades, avanço de 5,3% na comparação anual.

O desempenho, entretanto, não é uniforme entre todos os segmentos do mercado.

Minha Casa, Minha Vida representa metade das vendas

Um dado relevante é a participação do Minha Casa, Minha Vida.

O programa respondeu por 51% das vendas de imóveis novos no segundo trimestre de 2026.

A participação demonstra a importância das condições de financiamento e das políticas habitacionais para transformar interesse em aquisição efetiva.

Também mostra por que os resultados gerais do mercado não podem ser automaticamente projetados para todas as faixas de preço.

Segmentos diferentes enfrentam condições distintas de demanda, renda e acesso ao crédito.

Imóveis usados concentram financiamentos do SBPE

Os dados de financiamento também ajudam a compreender o comportamento dos compradores.

No primeiro semestre de 2026, 70% dos 160 mil financiamentos concedidos a pessoas físicas pelo SBPE foram destinados à aquisição de imóveis usados.

O número mostra que o mercado secundário possui participação relevante na demanda financiada.

Para incorporadoras, isso significa que a disputa pela capacidade financeira do comprador não ocorre apenas entre diferentes lançamentos.

Empreendimentos novos também concorrem com o estoque de imóveis usados disponível no mercado.

Preço, localização, condições de pagamento, características do imóvel e acesso ao financiamento podem influenciar essa escolha.

Entrada pode ser uma das principais barreiras

Além da prestação mensal, o valor necessário para iniciar a operação pode dificultar a compra.

Quando a prestação compatível com a renda não permite financiar uma parcela suficientemente elevada do preço do imóvel, o comprador precisa oferecer uma entrada maior.

Isso pode prolongar o período necessário para acumular recursos ou até inviabilizar a operação.

Por esse motivo, a capacidade de compra não deve ser analisada apenas pelo valor total do imóvel.

Entrada, financiamento disponível e comprometimento mensal de renda precisam ser avaliados conjuntamente.

Aprovação do financiamento deve ocorrer antes de compromissos maiores

Para compradores que dependem de crédito, compreender previamente sua capacidade de financiamento reduz o risco de assumir compromissos incompatíveis com a aprovação bancária.

A existência de interesse comercial ou mesmo de uma negociação avançada não significa que o financiamento será necessariamente concedido.

Instituições financeiras realizam suas próprias análises e aplicam critérios relacionados à renda, capacidade de pagamento e características da operação.

Por isso, contratos e propostas de compra precisam ser analisados também sob a perspectiva da forma como a aquisição será financiada.

Documentação do imóvel também pode impedir uma compra

Capacidade financeira não é o único elemento capaz de impedir a conclusão de um negócio imobiliário.

A documentação do imóvel e das partes também precisa ser analisada.

Matrícula, titularidade, gravames, regularidade da construção e outros documentos relevantes podem interferir na segurança e na própria viabilidade da operação.

Quando existe financiamento bancário, questões documentais também podem produzir obstáculos durante o processo de contratação.

A análise jurídica anterior à compra reduz o risco de descobrir problemas depois que valores já foram pagos ou obrigações foram assumidas.

Contrato merece atenção antes da assinatura

O crescimento da intenção de compra também aumenta a importância dos cuidados na fase de negociação.

Compradores devem compreender exatamente quais obrigações estão assumindo antes de assinar propostas, compromissos de compra e venda ou outros instrumentos.

Preço, forma de pagamento, condições para obtenção do financiamento, prazos, consequências do inadimplemento e hipóteses de rescisão precisam estar claramente estabelecidos.

Quanto maior o valor econômico da operação, maior a importância de compreender previamente os efeitos das cláusulas contratuais.

Promessas comerciais precisam estar documentadas

Outro cuidado relevante envolve as condições apresentadas durante a negociação.

Benefícios, características do imóvel, condições especiais de pagamento e outras informações relevantes para a decisão de compra devem ser adequadamente documentados.

Depender exclusivamente de conversas informais pode aumentar o risco de divergências posteriores sobre aquilo que efetivamente foi oferecido ou contratado.

Para incorporadoras e imobiliárias, processos comerciais claros e documentação consistente também contribuem para reduzir conflitos e aumentar a previsibilidade das relações com os compradores.

Recorde de intenção cria oportunidade para incorporadoras

Para empresas do setor imobiliário, o percentual de 52% demonstra a existência de um contingente expressivo de consumidores interessados em adquirir imóveis.

O desafio está em transformar esse interesse em vendas economicamente sustentáveis.

Isso exige compreender não apenas o perfil do consumidor, mas sua capacidade financeira e o tipo de produto que consegue acessar.

Preço, tamanho das unidades, localização, entrada exigida e alternativas de financiamento podem interferir diretamente nessa conversão.

A própria pesquisa mostra que o comprador está disposto a adquirir imóveis, mas as condições financeiras continuam determinando quando essa intenção poderá se transformar em negócio.

Conclusão

A intenção de compra de imóveis atingiu 52% no segundo trimestre de 2026, maior percentual desde o início da série histórica, em 2019.

Entre os interessados, 68% pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos, enquanto sair do aluguel aparece como principal motivação, mencionada por 37%.

Os números demonstram uma demanda potencial relevante para o mercado imobiliário.

Entretanto, intenção não significa capacidade imediata de compra.

Juros, valor da entrada, aprovação do financiamento, preço do imóvel e condições contratuais continuam influenciando diretamente a conclusão dos negócios.

Para incorporadoras e construtoras, o cenário revela oportunidades, mas também reforça a necessidade de desenvolver produtos e condições comerciais compatíveis com a capacidade financeira dos compradores.

Para quem pretende adquirir um imóvel, planejamento financeiro, análise documental e compreensão do contrato continuam sendo etapas essenciais antes da assinatura.


 

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Conheça os autores

Adivan Zanchet

OAB/RS 94.838 || OAB/SC 61.718-A || OAB/SP 521767

Advogado e Professor especialista em Direito Ambiental pela Escola Verbo Jurídico, e em Direito Agrário e do Agronegócio, pela FMP – Fundação Escola Superior do Ministério Público. Sócio-fundador e CEO do escritório Martins, Zanchet & Espósito Advocacia Ambiental. Como Advogado Ambiental, tem sua expertise voltada para Responsabilidade Civil Ambiental. Sócio-fundador da Escola de Direito Ambiental. Sócio-fundador do Canal no YouTube e Podcast Inteligência Ambiental, maior canal do Brasil sobre a matéria de Direito Ambiental. Membro da União Brasileira de Advogados Ambientais (UBAA). Autor de diversos artigos, dentre eles “Responsabilidade Civil Ambiental: as dificuldades em se comprovar o nexo causal”.

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