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Imóveis ainda valorizam acima da inflação, mas mercado começa a desacelerar

Preços dos imóveis residenciais acumulam alta de 14,73% em 12 meses, segundo o IGMI-R. Apesar da valorização, indicador desacelerou pelo quinto mês consecutivo.
Os preços dos imóveis residenciais continuam registrando forte valorização no Brasil, mas os dados mais recentes indicam uma perda gradual de ritmo no mercado.
O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) acumulou alta de 14,73% em 12 meses, mantendo a valorização dos imóveis em patamar elevado.
Ao mesmo tempo, o ritmo de crescimento desacelerou pelo quinto mês consecutivo.

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Valorização continua elevada

A alta acumulada de 14,73% mostra que o mercado residencial ainda registra uma valorização expressiva na comparação com os preços observados um ano antes.

O dado é relevante especialmente para proprietários e investidores que acompanham o comportamento dos imóveis como ativos patrimoniais.

Entretanto, um crescimento acumulado elevado não significa necessariamente que os preços continuarão avançando no mesmo ritmo nos próximos meses.

É justamente nesse ponto que a desaceleração recente ganha importância.

Ritmo de valorização diminui pelo quinto mês

Embora os preços permaneçam em trajetória positiva, o ritmo de valorização vem perdendo força.

A desaceleração pelo quinto mês consecutivo indica uma mudança na velocidade de crescimento dos preços.

Isso não significa, necessariamente, queda no valor dos imóveis.

Existe uma diferença importante entre desaceleração da valorização e desvalorização.

No primeiro cenário, os preços continuam aumentando, mas em ritmo menor. No segundo, os valores efetivamente recuam.

Os dados atuais apontam para o primeiro movimento.

Recife, Curitiba e Salvador aparecem entre os destaques

O desempenho também varia significativamente entre diferentes mercados imobiliários.

Recife, Curitiba e Salvador aparecem entre as capitais com maiores altas registradas pelo indicador.

Essa diferença reforça uma característica importante do mercado imobiliário: médias nacionais ajudam a compreender tendências gerais, mas não substituem a análise de cada região.

Mesmo dentro de uma única cidade, bairros e tipos de imóveis podem apresentar comportamentos bastante diferentes.

Por isso, utilizar apenas um índice nacional para definir o preço de compra ou venda de um imóvel pode produzir avaliações distorcidas.

O momento favorece compradores ou vendedores?

A resposta depende principalmente do imóvel e do mercado analisado.

Um cenário de valorização acumulada elevada pode beneficiar proprietários que adquiriram imóveis anteriormente e agora possuem patrimônio avaliado por valores superiores.

Ao mesmo tempo, a desaceleração pode alterar expectativas de compradores e investidores que estavam considerando adquirir imóveis exclusivamente com base na possibilidade de valorização acelerada.

Isso pode ampliar a importância da negociação.

Localização, oferta de imóveis semelhantes, demanda regional, condições de financiamento e situação financeira do comprador passam a ter peso ainda maior na definição do preço efetivamente negociado.

Não existe, portanto, uma conclusão nacional de que o mercado esteja automaticamente melhor para compradores ou vendedores.

Preço anunciado não é necessariamente valor de mercado

Em momentos de forte valorização, existe o risco de proprietários utilizarem os indicadores gerais para elevar suas expectativas de preço.

Entretanto, o valor anunciado de um imóvel não representa necessariamente o valor pelo qual a operação será concluída.

A avaliação precisa considerar imóveis comparáveis, localização, estado de conservação, características construtivas, infraestrutura disponível e comportamento recente das negociações na região.

Para compradores e investidores, essa diferença pode ser relevante durante a negociação.

Para incorporadoras, compreender o preço que o mercado efetivamente consegue absorver é igualmente importante para estudos de viabilidade e definição do posicionamento comercial dos empreendimentos.

Aluguel e preço de venda precisam ser analisados conjuntamente

Investidores interessados em imóveis para geração de renda também precisam observar uma relação fundamental: preço de aquisição e capacidade de geração de aluguel.

Um imóvel pode registrar forte valorização de mercado sem que a renda obtida com locação cresça na mesma proporção.

Nesse cenário, o retorno percentual sobre o capital investido pode diminuir.

Por isso, a decisão de adquirir um imóvel para investimento não deve considerar apenas a expectativa de valorização futura.

Receita potencial de aluguel, vacância, despesas condominiais, tributos, manutenção e liquidez também influenciam o resultado econômico da operação.

Localização continua sendo determinante

Os diferentes resultados entre as capitais reforçam a importância da localização.

O mercado imobiliário não se comporta de maneira uniforme.

Alterações de infraestrutura, expansão urbana, oferta de novos empreendimentos, atividade econômica e características demográficas podem influenciar significativamente os preços em cada região.

Isso também significa que uma cidade com forte valorização recente não necessariamente repetirá o mesmo desempenho nos próximos anos.

Para investidores, a análise precisa olhar tanto para os números históricos quanto para os fundamentos econômicos que sustentam determinado mercado.

Valorização passada não garante retorno futuro

Um dos principais riscos em períodos de forte crescimento dos preços é transformar valorização passada em expectativa de valorização futura.

A alta de 14,73% registrada em 12 meses representa o comportamento observado no período analisado.

Ela não constitui garantia de que um imóvel comprado hoje terá desempenho semelhante nos próximos 12 meses.

Esse cuidado é especialmente importante para investidores que utilizam crédito para adquirir imóveis esperando que a valorização do patrimônio compense os custos financeiros da operação.

Nesse cenário, juros, prazo do financiamento, capacidade de geração de renda e preço efetivamente pago pelo imóvel precisam ser considerados conjuntamente.

Avaliação imobiliária ganha importância

Em um mercado que ainda apresenta valorização expressiva, mas começa a mostrar desaceleração, a avaliação adequada dos ativos ganha relevância.

Compradores precisam compreender se o preço solicitado está compatível com o mercado.

Vendedores precisam avaliar se suas expectativas correspondem aos valores efetivamente praticados.

Investidores devem verificar se a rentabilidade projetada permanece adequada ao preço de aquisição.

E incorporadoras precisam acompanhar a capacidade de absorção de novos lançamentos pelo mercado.

Uma avaliação fundamentada reduz o risco de decisões baseadas exclusivamente em expectativas.

Segurança jurídica também influencia o valor do investimento

Preço e localização não são os únicos elementos relevantes em uma aquisição imobiliária.

A situação jurídica do imóvel também pode interferir diretamente no valor e na segurança do investimento.

Antes da aquisição, questões relacionadas à matrícula, propriedade, gravames, regularidade da construção, condomínio, contratos existentes e eventuais passivos precisam ser analisadas conforme as características da operação.

Em investimentos de maior valor, uma due diligence imobiliária pode revelar riscos que não aparecem na avaliação puramente comercial do ativo.

Um imóvel aparentemente atrativo financeiramente pode apresentar problemas jurídicos capazes de alterar significativamente o resultado econômico esperado.

Desaceleração exige decisões mais fundamentadas

O cenário apresentado pelo IGMI-R não indica necessariamente uma reversão do mercado imobiliário.

Os imóveis continuam registrando valorização relevante no acumulado de 12 meses.

O dado novo é a perda gradual de velocidade.

Para investidores e empresas do setor, isso aumenta a importância de decisões baseadas em fundamentos específicos do ativo e da região, e não apenas no comportamento geral dos preços.

Preço de entrada, potencial de aluguel, liquidez, financiamento, localização e segurança jurídica passam a ser elementos ainda mais importantes na avaliação.

Conclusão

Os imóveis residenciais acumulam valorização de 14,73% em 12 meses, mas o ritmo de crescimento dos preços desacelerou pelo quinto mês consecutivo.

Os dois dados precisam ser interpretados conjuntamente.

O mercado continua apresentando valorização, mas existem sinais de perda de velocidade que recomendam cautela com projeções baseadas exclusivamente no desempenho recente.

Para compradores, vendedores e investidores, isso reforça a importância de analisar cada imóvel individualmente.

Localização, preço efetivamente praticado, potencial de aluguel, condições de financiamento, liquidez e situação jurídica do ativo podem ser mais importantes para uma decisão de investimento do que a valorização média registrada pelo mercado nacional.


 

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Conheça os autores

Adivan Zanchet

OAB/RS 94.838 || OAB/SC 61.718-A || OAB/SP 521767

Advogado e Professor especialista em Direito Ambiental pela Escola Verbo Jurídico, e em Direito Agrário e do Agronegócio, pela FMP – Fundação Escola Superior do Ministério Público. Sócio-fundador e CEO do escritório Martins, Zanchet & Espósito Advocacia Ambiental. Como Advogado Ambiental, tem sua expertise voltada para Responsabilidade Civil Ambiental. Sócio-fundador da Escola de Direito Ambiental. Sócio-fundador do Canal no YouTube e Podcast Inteligência Ambiental, maior canal do Brasil sobre a matéria de Direito Ambiental. Membro da União Brasileira de Advogados Ambientais (UBAA). Autor de diversos artigos, dentre eles “Responsabilidade Civil Ambiental: as dificuldades em se comprovar o nexo causal”.

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