O agronegócio brasileiro está em constante transformação. A crescente pressão por sustentabilidade, transparência e responsabilidade ambiental — vinda tanto de mercados internacionais quanto da sociedade — redefine as estratégias do setor.
Com a aproximação de 2026, produtores rurais e empresas do agro precisam se preparar para um cenário mais exigente do ponto de vista regulatório, ambiental e comercial. Neste artigo, apresentamos as principais tendências e desafios que devem moldar o agronegócio brasileiro nos próximos anos, com foco nas exigências legais, rastreabilidade, ESG, mercado de carbono e oportunidades de financiamento verde.
Expectativas de crescimento e transformações estruturais

O Brasil continuará sendo um dos maiores produtores mundiais de alimentos, fibras e bioenergia. A demanda internacional por grãos, proteína animal e biocombustíveis tende a crescer, impulsionada por mercados como China, União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio.
Contudo, o crescimento do agro não será apenas quantitativo. O setor caminha para uma transformação estrutural:
- Digitalização das cadeias produtivas;
- Integração com tecnologias de rastreabilidade e monitoramento ambiental;
- Fortalecimento de cadeias sustentáveis e regenerativas;
- Consolidação do agro como ator central no debate climático.
Rastreabilidade e exigências dos mercados internacionais

A rastreabilidade já é uma realidade — e será obrigatória em diversos mercados até 2026. A União Europeia, por exemplo, exigirá comprovação de que produtos agrícolas importados não estão ligados ao desmatamento, mesmo legal.
As exigências incluem:
- Georreferenciamento de propriedades e lotes;
- Sistemas digitais de rastreabilidade integrada (como blockchain);
- Certificação de origem legal e ambiental;
- Transparência contratual nas cadeias de fornecimento.
Empresas e produtores que não se adequarem poderão ser excluídos de mercados estratégicos.
ESG e governança no campo

A agenda ESG (Environmental, Social and Governance) chegou ao agronegócio para ficar. Financiadores, indústrias compradoras, cooperativas e exportadores estão exigindo padrões mínimos de boas práticas ambientais, sociais e de governança.
Para o agro, isso significa:
- Adequação das propriedades ao Código Florestal (reserva legal, APPs);
- Implementação de políticas internas de governança ambiental e compliance;
- Relatórios e auditorias periódicas sobre o impacto das atividades;
- Adoção de práticas agrícolas sustentáveis (ILPF, bioinsumos, agricultura regenerativa).
O produtor que se organiza, documenta e profissionaliza sua gestão estará à frente.
Pressão regulatória e endurecimento da fiscalização ambiental

A fiscalização ambiental, especialmente sobre desmatamento, uso irregular do solo e outorgas de água, deve se intensificar.
Em 2026, espera-se:
- Integração mais ampla de dados entre IBAMA, Receita Federal, INCRA e órgãos estaduais;
- Monitoramento remoto por satélite com inteligência artificial;
- Aumento da responsabilização de sócios e administradores por infrações;
- Aplicação mais severa de multas, embargos e ações civis públicas.
Manter a documentação em dia, cumprir condicionantes e adotar postura preventiva será crucial para evitar sanções.
Mercado de carbono: novas oportunidades para o produtor rural

Com a regulamentação do mercado de carbono no Brasil, produtores poderão ser remunerados por boas práticas ambientais.
O agro será protagonista em:
- Geração de créditos de carbono por preservação e reflorestamento;
- Adoção de tecnologias que reduzem emissões (manejo de solo, fertilizantes, energia limpa);
- Participação em programas voluntários e regulados de compensação.
Produtores que estruturarem seus projetos desde já, com apoio técnico e jurídico, terão vantagem competitiva na comercialização desses créditos.
Financiamento verde e crédito agrícola com critérios ambientais

Cada vez mais, bancos e instituições financeiras estão condicionando o crédito à comprovação de regularidade ambiental.
Tendências para 2026:
- Linhas de crédito específicas para projetos sustentáveis;
- Exigência de CAR validado, licenças ambientais, adesão a boas práticas;
- Preferência para produtores certificados ou inseridos em cadeias verdes;
- Penalização de produtores com passivos ambientais ou embargos vigentes.
Estar regularizado ambientalmente será também um pré-requisito para acessar recursos do Plano Safra e fundos internacionais.
Propriedade rural legalizada: um ativo estratégico

A regularização fundiária e ambiental será um dos diferenciais do agronegócio nos próximos anos.
Para 2026, espera-se:
- Conclusão de validações do CAR em larga escala;
- Integração de bases fundiárias e ambientais para emissão de títulos e financiamentos;
- Penalização fiscal e jurídica para propriedades irregulares;
- Exigência de matrícula e registro fundiário compatível com a legislação ambiental.
A terra legalizada e com documentação ambiental em ordem se valoriza e abre portas para negócios, parcerias e exportação.
O papel do jurídico ambiental preventivo

Com a ampliação das obrigações ambientais, o assessoramento jurídico especializado deixa de ser apenas uma necessidade reativa e se torna um diferencial estratégico no planejamento rural.
A atuação preventiva permite:
- Revisão de passivos e riscos em aquisições de imóveis;
- Acompanhamento de processos de licenciamento e outorgas;
- Defesa em autos de infração e embargos ambientais;
- Estruturação jurídica para acesso a mercados regulados de carbono;
- Apoio na elaboração de políticas internas, treinamentos e compliance ambiental.
Conclusão
O agronegócio brasileiro em 2026 será ainda mais competitivo — e também mais fiscalizado, regulamentado e exigente.
Empresas e produtores rurais que desejam permanecer no mercado e expandir seus negócios precisam se antecipar às exigências ambientais, legais e de mercado, transformando o desafio em oportunidade.
A profissionalização da gestão ambiental, aliada à regularização fundiária e ao apoio jurídico especializado, será o caminho mais seguro para quem quer crescer com segurança jurídica, solidez econômica e reconhecimento internacional.
Sua propriedade rural ou empresa do agro está preparada para 2026? Fale com a Martins Zanchet Advocacia Ambiental e prepare-se com quem entende de agronegócio e legislação ambiental.

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